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Por Jay Laurentino

 

O cinema do Brasil faz 121 anos e continua a surpreender

Com o tempo, os artistas e o investimento tem melhorado o cinema nacional.

Em 19 de junho de 1898 o ítalo-brasileiro Afonso Segreto fez o que pode ser considerado as primeiras imagens em movimento do litoral brasileiro, e utilizando-se de um cinematógrafo que trazia da Europa, capturou as primeiras imagens em filme, do Brasil. A Ancine, Agência Nacional de Cinema, estabeleceu então que hoje é o Dia do Cinema Brasileiro, que comemora 121 anos nesta quarta-feira.

central do Brasil
Convenhamos, não há como dizer que você não gosta de cinema nacional. Sério. Há sempre algum filme que marcou sua infância, que te lembra alguma tarde com amigos, que te emocione ou que te arrebate com a realidade. E são tantos os mais lembrados por nós que fica até difícil ser sucinto nessa lista: “Central do Brasil” (Walter Salles, 1998), “O Auto da Compadecida” (Guel Arraes, 2000), “Cidade de Deus” (Fernando Meirelles, 2002), “Tropa de Elite” (José Padilha, 2007); só pra citar os mais populares.

Da criação dos estúdios Vera Cruz de 1949 e seu sucesso estrondoso com “Mazzaropi”, passando pelo cinema marginal e pelas pornochanchadas, a maneira de fazer e consumir cinema no Brasil mudou bastante. Mas a crítica social entoada nas películas nacionais sempre ganharam formas muito diferentes e com bastante destaque como vemos nos clássicos: “Vidas Secas” (Nelson Pereira dos Santos, 1963), “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) ou “Terra em Transe” (1967) — ambos do irremediável Glauber Rocha — os três trazendo a realidade áspera de famílias miseráveis em meio à seca no sertão nordestino do século passado.

Realidades também postas à prova em “Carandiru”, de Hector Babenco ou “Amarelo Manga”, de Cláudio de Assis, ambos de 2003 — Dramas que misturam temas como o extremismo religioso e político, a homossexualidade e os relacionamentos conjugais em diferentes sucessões de histórias paralelas sem mencionar ainda o imbatível Eduardo Coutinho e seus premiados documentários pelo mundo como em “Edifício Master” (2002), a nossa Fernanda Montenegro que injustamente não foi premiada com o Oscar de Melhor Atriz em 1999 em sua performance impecável com Central do Brasil.

Passando também até nos mais atuais como em “Que Horas Ela Volta?” (Anna Muylaert, 2015), “O Lobo Atrás da Porta” (Fernando Coimbra, 2013), “Tatuagem” (Hilton Lacerda, 2013), “Aquarius” (Kleber Medonça Filho, 2016). Falando nele aliás, preciso dizer: Kleber Medonça Filho tem colocado o nosso valioso cinema nos mais altos holofotes do mundo desde “O Som ao Redor” (2012). Recifense, Kleber utiliza das belezas litorâneas e sertanejas de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte para trazer o primeiro sci-fi faroeste BR já feito, retornando estrondosamente com “Bacurau” e estreia prevista para agosto de 2019 em terras tupiniquins após ser vencedor do Prêmio do Juri na França e indicações pela Austrália.

Não tem só filme cult não. Quem nunca assistiu “Lua de Cristal” (Tizuka Yamasaki, 1990) ou pelo menos um filme da rainha dos baixinhos e dos trapalhões?. “O Menino e o Mundo” (Alê Abreu, 2014)—Indicado ao Oscar de melhor animação em 2016 — “Hoje eu Quero Voltar Sozinho” (Daniel Ribeiro, 2014), “Animal Cordial” (Gabriela Amaral Almeida, 2018) e a lista segue infinitamente.

A indústria do cinema além de empregar centenas de milhares de profissionais, desde pessoal técnico de iluminação, limpeza, segurança, sonoplastia, alimentos e bebidas de restaurantes, movimentar economias locais com filmagens, ainda fomenta a cultura de norte a sul do país. E você? Qual filme brasileiro é o próximo da sua lista?

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